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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A tolerância humana e a sociedade.



A tolerância do ser humano esta intrinsecamente associada à sociedade a que esta inserido. Ao criar a sociedade, as regras e normas de condutas sociais o homem delimitou graus de tolerância em seu comportamento. O filosofo grego Aristóteles, mais de três séculos antes de Cristo já afirmava que o homem é um ser social. E seus preceitos foram seguidos pela maioria dos pensadores, onde a vida societária passou a ser um axioma, parte integrante da natureza humana. Mas cada sociedade cria “verdades” onde o bem e mal é relativo e não uma verdade absoluta para todos, variando de acordo com a cultura de cada povo. Importante ressaltar que os pensadores Hobbes e Rousseau, já no período moderno, criam duas visões opostas quanto à origem da sociedade e sua conseqüência para os homens. Para Hobbes o homem é mau por natureza e quem o controla é a sociedade; sem esse controle o homem entra em processo de auto destruição. Para Rousseau, o homem nasce bom e feliz e a sociedade o transforma, tornando-o mau e perverso.

Baseada em estudos do comportamento humano, acredito que o homem ao nascer é provido de todos os sentimentos bons e maus. Fatores distintos determinarão a predominância de sentimentos bons ou maus, dependendo do significado que dará a cada situação vivida em relação a sua família, a cultura e a sociedade em que nasceu e viveu.

O mais difícil é identificar o que é bom ou mau em uma sociedade. Ninguém nasce um homem bomba, mas se torna em uma sociedade onde a cultura do povo qualifica esse ato como heróico.

Baseada na sociedade brasileira observo que a ambigüidade esta presente. Para um mesmo valor moral sempre há no mínimo duas visões; não matar é uma regra social e moral. Mas a cada dia observa-se a desvalorização sem limites da vida humana.
Outra regra: não roubar. Mas a corrupção esta presente em quase todos os segmentos sociais.

Temos no Brasil uma elasticidade quanto aos valores morais. Até onde se pode chegar, burlando normas e regras para se conseguir objetivos pessoais parecem estar presentes no pensamento coletivo do povo brasileiro. Tolera-se tudo, desde que não nos atinja pessoalmente ou a um membro da família. Defende-se o indefensável. Solidariedade é um sentimento nobre, devendo estar presente em todos os nós. Mas apenas quando uma catástrofe acontece é que ocorre uma comoção na população, mas de curta memória. A punição frente à quebra das regras e leis é fato. Mas a impunidade impera. Existe apurada legislação, porém teórica. “Na pratica a ética predominante é a de Maquiavel:” “o fim justifica os meios”.

Um momento de reflexão: Até quando iremos tolerar essa iníqua tolerância?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Amizade.





Busco novamente o dicionário. Uma grande dúvida permeia minha mente. Será que a palavra amizade foi banida da linguagem humana? Encontro: amizade sentimento de amigo; afeto que liga as pessoas. Minha mente fica inquieta, uma reflexão imediata surge: porque se esquece dos amigos? Será que hoje não se tem tempo para sentir afeto? Será que o bate–papo, o conselho, o cafezinho, a presença do amigo não é mais importante? Como bem descreveu Oswaldo Montenegro, faça uma lista dos grandes amigos, quem você mais via há dez anos atrás, quantos você ainda vê todo dia, quantos você já não encontra mais...

Conhecer pessoas é extremamente fácil. Mas, construir e conservar uma amizade requer sentimento, requer vinculo. As pessoas contemporâneas se assustam diante do vinculo. As amizades acabam tendo um interesse. Quando penso em um espaço em que co-habitam várias pessoas como um edifício, parece que acendo uma luz sobre o tema. Pessoas não conhecem nem mesmo seus vizinhos. Atualmente não se tem tempo para nada. Vizinhos podem incomodar pedir algo emprestado, melhor não, assim não darão trabalho. E o homem a cada dia está mais solitário, pensando apenas e si, voltado para resolver seus problemas, com medo de tudo e de todos.
Pobre homem esse, vivente em pleno século XXI.

Crianças gostam de amizades, precisam dos amigos, brincam com os amigos, brigam com os amigos e fazem as pazes com os amigos.
Já adultos esquecem ou abandonam a idéia de ter amigos.
“Conhecidos apenas”, “amigos ficantes”, “amigos virtuais”.

Em um mundo onde as palavras não têm valor algum, ou quase nenhum, em um momento em que a solidariedade não esta presente, falar sobre amizade pode parecer falar sobre ficção.

Mas, acredito na amizade, e sei que sem ela a pessoa se torna árida, triste, mesmo aparentando não necessitar de amigos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Aborto: vida ou morte?


Quando se inicia a vida humana? Um embrião deve ser considerado uma pessoa ou um aglomerado de células com o potencial de se tornar uma pessoa? O aborto é crime? Caso seja assim considerado e baseado nas estimativas do Ministério da Saúde que apontam a ocorrência entre 729 mil e 1,25 milhão de abortos ao ano no país. Destes, no mínimo 250 morrem e 1/3 procuram assistência hospitalar devido aos transtornos gerados no organismo, seja por introdução de objetos na vagina para atingir o feto, uso inapropriados de medicação abortiva ou expulsão incompleta. Entre 18 e 39 anos, de cada 100 mulheres 15% já fez aborto e entre 35 e 39 anos de cada 5 uma já o fez. A região que apresenta o maior número de abortos é a Nordeste e a menor a Sul. Entre 18 e 19 anos uma em vinte já realizou o aborto. ( Wikipédia)
Serão elas criminosas?

A legislação brasileira é até então contraria. As religiões também o são. Mas não se pode viver em um mundo ilusório. A realidade mostra que a cada instante em todo nosso imenso território, mulheres despreparadas tanto para abortar quanto para criarem um filho, se submetem a clinicas clandestinas, sujas, sem o mínimo critério de higiene, visando apenas o lucro, colocando em risco a vida dessas mulheres.

Educar, orientar e usar critérios preventivos é o ideal para que mulheres não se percam frente à vida sexual e não necessitem usar da pratica abortiva. Mas vivemos em um país onde a religião é aversiva e contraria a prevenção, isto é, aos métodos contraceptivos.

Culturalmente a religião influencia fortemente a sociedade e com isso as leis também coíbem a pratica do aborto. Mas porque se deve chegar a esse extremo? Porque não orientar para que mulheres evitem engravidar utilizando meios para que isso não ocorra? Porque a igreja acredita que nem mesmo uma menina mulher que foi estuprada por vezes pelo próprio pai ou um parente próximo tenha que conviver com essa situação? O que fazer então? Colocar uma venda nos olhos e não enxergar a realidade?

Castigar e punir essas mulheres é o dever da sociedade ao invés de orientar, educar para que essa situação de alto estresse físico e psicológico não aconteça? Ou o desejo da sociedade é que as mulheres que praticam o aborto morram mesmo nas mãos de pessoas em clinicas clandestinas que burlam a lei?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

DIGA NÃO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER!

Quando a violência contra a mulher é alimentada pela própria mulher.

A cada dia mais mulheres são vitimas da violência domestica. Maridos, companheiros, namorados agridem tanto verbalmente quanto psicologicamente chegando ao extremo de tirar a vida dessas mulheres.
Quanto a esse fato o que verdadeiramente se espera é a real punição desses homens.

Mas o que fazer quando mulheres se submetem por desejo próprio a tipos diversos de violência em nome de um amor?
“Frases como: ruim com ele, pior sem ele; minha vida sem ele não tem sentido; a minha esperança é que ele mude”, são comuns no vocabulário desse perfil de mulher.

Que amor é esse que faz com que uma mulher fique em um relacionamento onde impera a humilhação, as ofensas, o descaso, a traição? Um simples carinho faz com que essa mulher esqueça o sofrimento da relação e se muna de esperança. Medo da solidão parece ser também uma das justificativas femininas para esse relacionamento doentio e obsessivo.
Justificativas para permanecer na relação é o que mais elas encontram.

Também é presente o fato de que elas preferem desafios, e gostam de se sentirem especiais. Quanto mais dificultosa for a conquista mais ela acredita que é especial. Quanto mais for humilhada mais interessante se torna o pensamento de mudar esse homem em nome desse “amor”.

A vaidade também é um grande agente nutridor para essas mulheres. O pensamento que ela pode e vai conseguir mudar esse homem, torna o mesmo um grande troféu, onde a mulher não mede esforços para tentar conseguir seu objetivo. Importante ressaltar que esse tipo de homem não esta predisposto a mudar, uma vez que comportamentos narcisistas e infiéis são traços de sua personalidade e, portanto as mudanças são temporárias e não definitivas.

Em Tóquio, foram apresentados dois estudos a respeito do comportamento humano, onde as pesquisas revelaram que os homens narcisistas e infiéis são mais atraentes ao mundo feminino. Esses homens são sedutores, atraentes, mas com o perfil do “canalha”, o que parece agradar as mulheres, diferente dos bonzinhos que por não proporcionarem tantas emoções tornam-se os “chatos”. Um grande numero de mulheres se apaixona pelos canalhas e querem transformá-los no “chato”, o que é totalmente incompatível com esse tipo de personalidade, e, portanto, passam anos de suas vidas se lamentando do namorado e/ou marido, mas sem tomar uma atitude definitiva frente à situação.

Será que ele ainda me ama?
Esse parece ser o grande questionamento dessas mulheres. O fato de se sentirem importantes, de ter como objetivo conquistar o eterno conquistador para si, as motivam.
Ela sofre com o canalha, passa constantemente todo tipo de humilhação, de violência psicológica e por vezes física, mas isso a justifica e a motiva, uma vez que seu objetivo é convencê-lo de que ele a ama. Em minha experiência profissional por diversas vezes já ouvi: "Ele ainda não sabe que me ama...".

Com isso elas próprias alimentam também a violência contra a mulher. Reclamar e se lamentar não resolve. O que realmente tem resultado é tomar atitude, é sair do mundo das ilusões e saber que a vida é feita de escolhas e não de sonhos inalcançáveis.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A difícil convivência entre homens e mulheres.




Uma pesquisa divulgada no final do ano passado nos Estados Unidos trás a tona um tema muito interessante: nunca as mulheres estiveram tão ousadas como atualmente. E acrescenta-se que também nunca tão “mal faladas”. Baseada nesse fato resolvi traçar um breve relato sócio-histórico da vida feminina, não no sentindo de pregar a vitimização, mas com a idéia de fazer uma análise critica quanto ao comportamento atual da mulher.

“A mulher deve adorar o homem como a um deus. Toda manhã, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e de braços cruzados, perguntar-lhe: Senhor, que desejas que eu faça?” (Zaratustra, filosofo persa, século VII a.C.)
Essa foi a primeira citação que encontrei. Sigo com minha pesquisa. Fabulosa internet e:

“A natureza só fez mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto um homem inferior.” (Aristóteles, filósofo grego, século IV a.C.). Continuo tentando alcançar meu objetivo:

“Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar. Se quiserem ser instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos.”
(São Paulo, apóstolo cristão, ano 67 d.C.).
Ainda não me é suficiente e:

“Os homens são superiores às mulheres porque Alá outorgou-lhes a primazia sobre elas. Portanto, daí aos varões o dobro do que daí as mulheres. Os maridos que sofrerem desobediência de suas mulheres podem castigá-las: deixá-las sós em seus leitos e até bater nelas. Não se legou ao homem maior calamidade que a mulher.” (Alcorão, recitado por Alá a Maomé, século VI).
Quero mais informações, portanto:

“O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia.” (Lutero, teólogo, reformador protestante, século XVI).

Nessa busca encontrei incontáveis citações, mas selecionei essas para ilustrar o que já sabemos: o mundo foi amplamente dominado por uma cultura patriarcal em todos os segmentos e fortemente amparado também pelas distintas religiões o que deu ao homem a sensação de superioridade e de comando por milênios. Ao longo da história, diversas correntes filosóficas e religiosas tinham uma visão diferente e defendiam a dignidade e os direitos da mulher em muitas e diferentes situações. Mas isso não era suficiente para a igualdade de direitos. A mulher amparada pela revolução francesa cria um movimento feminista. Nesse período da história pequenas mudanças começam a acontecer, mas o grande salto desse movimento aconteceu no século XX. “Feminismo é o movimento social que defende igualdade de direitos e posição entre homens e mulheres em todos os campos”, mas seria apenas isso? Igualdade?

Século XX, bruscas mudanças: a mulher consegue o direito ao voto, e assim começa a conquistar seu lugar, tanto pessoal quanto profissional. Mas motivada por um ressentimento milenar em relação à submissão e a subserviência, mulheres começam não a conquistar seus direitos, mas entra em franca competição com o universo masculino. Conquistas: incontáveis.
Direitos: quase em igualdade.
Deveres: inúmeros.
Liberdade: aparentemente conquistada.

Mas o que fazer com a liberdade? Acredito ser esse o maior conflito feminino. O que é ser uma mulher livre, independente no mundo contemporâneo? Nem a própria mulher sabe. Estamos vivendo um momento de falta de referencias. Para algumas mulheres ser livre é ser bem sucedida profissionalmente, para outras a famosa liberdade sexual, para outras cinco minutos de fama. Assistimos sim a uma exposição de corpos. A liberdade de assumir seu corpo como também uma fonte também de prazer se transforma e por vezes esse corpo se torna uma fonte de consumo frente à exposição ao qual é submetido pelas tele-mídias do mundo.

O conflito maior que vejo é; essa mulher livre, liberal, profissional, competitiva, na sua maioria ainda quer, deseja e sonha com um homem ideal, companheiro, romântico, uma casa, filhos enfim, uma família.

Acredito que o movimento feminista trouxe sim, grandes conquistas ao universo feminino. Mas esse movimento não se tornou na guerra dos sexos. O homem tem suas características, sua carga genética, seu jeito masculino. A mulher por sua vez tem o seu jeito feminino. Ser livre e independente não é copiar comportamentos masculinos e sim deixar a natureza feminina também livre. Ser livre e independente não é lutar contra os homens e sim se posicionar como mulher. Tanto homens precisam de mulheres quanto mulheres precisam de homens.

Frente a essa falta de referencias quanto a posições de homens e mulheres, tanto um quanto o outro se encontram perdidos. Torna-se necessário estabelecer uma nova forma de conduta respeitando a natureza e as características de cada sexo, sem o objetivo de competição e sim tendo como meta o encontro, uma vez que a forma atual conduz mais a separação, ao isolamento e a solidão.